Resumo
A educação no cárcere, mesmo sendo importante fator que contribui para a transformação social, enfrenta muitos entraves para sua oferta como: precária infraestrutura dos presídios, poucos profissionais habilitados, escassez de material didático adaptado às condições dos reeducandos e, sobretudo, a falta de cursos profissionalizantes que oferecem capacitação aos professores para trabalhar em presídios. Diante do exposto, coube investigar: quais são as dificuldades enfrentadas pelos professores para ofertar uma educação de qualidade capaz de reinserir os jovens e adultos privados de liberdade na sociedade? Para responder a esse questionamento, este estudo teve como objetivos: identificar as dificuldades que comprometem o desempenho do trabalho exercido pelos docentes que lecionam para indivíduos privados de liberdade; registrar suas metodologias, descrever os recursos e condições em que estes trabalham, refletir sobre os programas educacionais ofertados pelos governos que contemplem a população prisional; analisar sobre a importância do pedagogo e da educação no processo de reinserção dos presos dentro da sociedade. Nesse sentido, acredita-se que a dificuldade dos professores seja ofertar uma educação de qualidade dentro do cárcere, diante da negligência para com os indivíduos privados de liberdade. Nesse contexto, considera-se importante esta pesquisa para refletir sobre as barreiras enfrentadas pelos professores que lecionam no cárcere. Notadamente, percebe-se que esta modalidade de ensino tem sido negligenciada pelo Estado. Como metodologia, foram utilizados dois instrumentos de coleta de dados, sendo um questionário direcionado aos professores da escola que funciona no presídio e da instituição privada que oferta a EJA para indivíduos privados de liberdade e uma entrevista semiestruturada direcionada à diretora da instituição privada e do presídio e também à supervisora do presídio. O questionário contou com 13 perguntas fechadas e 9 abertas e foi disponibilizado através do Google Forms. A análise permitiu concluir que o contexto prisional tem suas particularidades, e para ofertar uma educação de qualidade, os professores precisam superar questões como a falta de material didático, recursos adaptados e um currículo voltado ao contexto prisional. Além desses aspectos observados, atualmente, não existe uma capacitação adequada ou treinamento para os docentes atuarem com as pessoas privadas de liberdade, permanecendo comprometido o processo de ensino-aprendizagem.